Os preços de vestuário e calçados na Espanha registraram forte alta em setembro de 2026, com o início da campanha comercial de outono-inverno coincidindo com uma aceleração mais ampla dos preços ao consumidor no país, de acordo com dados do comunicado flash do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Nacional de Estatística (INE) e dos relatórios definitivos de 14 de outubro.
No setor de moda, notícias desta semana indicam que os preços da moda tiveram alta e ficaram 2,1% mais caros em setembro. Além disso, os relatórios definitivos do IPC mostram que vestuário e calçados registraram variação mensal de 6,9% em setembro em comparação a agosto, impulsionados pela chegada das novas coleções da temporada de outono-inverno.
Para os consumidores em toda a Espanha, esses números significam uma perda imediata de descontos sazonais, à medida que as lojas substituem o estoque de verão. Quem vai às compras para atualizar o guarda-roupa para o clima mais frio enfrenta um salto mensal de 6,9% nos preços de roupas e sapatos em relação ao que pagavam em agosto, além de uma alta de 2,1% nos preços de moda. Além disso, como vestuário e calçados são itens não energéticos e não alimentícios frescos, seus aumentos de preços alimentam diretamente a inflação núcleo, intensificando as pressões sobre o custo de vida que as famílias já enfrentam com itens essenciais e contas básicas.
O salto sazonal nos preços do vestuário ocorreu em um cenário de disparada da inflação geral, com os custos de combustíveis em alta em setembro empurrando a inflação da Espanha para 4,9%. A estimativa flash do INE de 29 de setembro colocou inicialmente a variação anual do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em 4,9%, dado totalmente ratificado nos dados finais divulgados na quarta-feira, 14 de outubro. Isso marca um aumento de seis décimos em relação à taxa anual de 4,3% registrada em agosto e representa o nível de inflação mais alto em três anos e meio, especificamente desde fevereiro de 2023, quando a taxa era de 6%. Analistas citados na cobertura de mercado e pela FXStreet previam anteriormente uma alta menor, para 4,7%.
Segundo o órgão estatístico, a trajetória de alta do IPC anual foi impulsionada principalmente pelos preços de combustíveis e lubrificantes para veículos particulares, que subiram em setembro de 2026 após terem caído em setembro de 2025. Pacotes turísticos também contribuíram para o aumento, pois seus preços caíram de forma menos acentuada neste mês de setembro do que no mesmo mês do ano anterior. Como a inflação geral atingiu o patamar de 4,9%, o Ministério da Economia indicou que uma redução de impostos de 20 centavos por litro na gasolina e no diesel — parte do terceiro pacote de apoio a famílias e empresas afetadas pelo conflito no Oriente Médio — será prorrogada a partir de 1º de novembro.
Enquanto isso, a inflação núcleo, que exclui produtos alimentícios não processados e de energia voláteis, subiu dois décimos para uma taxa anual de 3,1% em setembro, ante 2,9% no período até agosto. Na base mensal para toda a economia, os preços gerais ao consumidor cresceram 0,3% em setembro, desacelerando em relação ao aumento mensal de 0,7% registrado em agosto. Além da alta mensal de 6,9% em vestuário e calçados, a taxa mensal foi impulsionada pelos custos de moradia, que subiram 1,1% em comparação a agosto devido aos preços mais altos de eletricidade e combustíveis líquidos.
Quando medido pelo Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (IPCH), que permite comparações em toda a União Europeia, a taxa de inflação anual da Espanha subiu quatro décimos para 5,0% em setembro, de 4,6% em agosto, correspondendo tanto à estimativa flash inicial quanto à previsão média dos analistas consultados pela Reuters. A taxa de inflação núcleo do IPCH ficou em 3,2% ao ano, enquanto a variação harmonizada mensal foi de 0,6% em setembro, queda leve em relação aos 0,7% de agosto. Dados de varejo separados do INE mostraram que as vendas no varejo com ajuste sazonal na Espanha subiram 0,3% no mês em agosto, após uma queda de 1,0% em julho, embora as vendas no varejo anuais tenham caído 0,4% tanto em julho quanto em agosto.
